sexta-feira, 21 de setembro de 2012

... Primeiro encontro ..


Cara muita gente fala do primeiro encontro com uma pessoa, fica imaginando por tempo e tempos como deve ser, aquela coisa toda, pensando no que vai fazer, pensando no que vai falar... É complexo como todas as coisas ao seu nivel maior de complexidades...

Todo primeiro encontro sempre vai ser diferente não importa com quem seja, pode ser que seja inesquecivel, pode ser que tu queira que seja o pior dia de tua vida de fato, pode ser que seja o primeiro de muitos para aperfeiçoando essa técnica de encontros, pode ser que ja seja seu centessimo encontro e ainda assim vai certo friozim na barriga, afinal encontros são encontros. Seja barzinho, seja boatche, seja praia, seja parque, seja cafeteria, seja sorveteria, cada um terá um forma especial de ser tratado mas todos vão ter a coisa obvia: "é a primeira impressão que fica" ..

Pronto ai ferrou, porque geralmente quando se faz algo pela primeira vez com pessoas diferentes tem tudo aquilo ne, nervosismo la em cima, você tremendo, pessoa tremendo, logo vira um mal de Parkinson só.. é fato...

Para encontros diria que teria regra simples a ser seguida: Como ja diria grande filosofa contemporânea Pitty "seja você mesmo que seja estranho, seja você, mesmo que seja bizarro, bizarro, bizarro..." com muita enfase na bizarrisse... =D

sábado, 8 de setembro de 2012

... Peladas ...


Esta pracinha sem aquela pelada virou uma chatice completa: agora, é uma babá que passa, empurrando, sem afeto, um bebê de carrinho, é um par de velhos que troca silêncios num banco sem encosto. E, no entanto, ainda ontem, isso aqui fervia de menino, de sol, de bola, de sonho: "eu jogo na linha! eu sou o Lula!; no gol, eu não jogo, tô com o joelho ralado de ontem; vou ficar aqui atrás: entrou aqui, já sabe." Uma gritaria, todo mundo se escalando, todo mundo querendo tirar o selo da bola, bendito fruto de uma suada vaquinha. 

Oito de cada lado e, para não confundir, um time fica como está; o outro jogo sem camisa. Já reparei uma coisa: bola de futebol, seja nova, seja velha, é um ser muito compreensivo que dança conforme a música: se está no Maracanã, numa decisão de título, ela rola e quiçá com um ar dramático, mantendo sempre a mesma pose adulta, esteja nos pés de Gérson ou nas mãos de um gandula. 

Em compensação, num racha de menino ninguém é mais sapeca: ela corre para cá, corre para lá, quiçá no meio-fio, pára de estalo no canteiro, lambe a canela de um, deixa-se espremer entre mil canelas, depois escapa, rolando, doida, pela calçada. Parece um bichinho. Aqui, nessa pelada inocente é que se pode sentir a pureza de uma bola. Afinal, trata-se de uma bola profissional, uma número cinco, cheia de carimbos ilustres: "Copa Rio-Oficial", "FIFA - Especial." Uma bola assim, toda de branco, coberta de condecorações por todos os gomos (gomos hexagonais!) jamais seria barrada em recepção do Itamarati. 

No entanto, aí está ela, correndo para cima e para baixo, na maior farra do mundo, disputada, maltratada até, pois, de quando em quando, acertam-lhe um bico, ela sai zarolha, vendo estrelas, coitadinha. Racha é assim mesmo: tem bico, mas tem também sem-pulo de craque como aquele do Tona, que empatou a pelada e que lava a alma de qualquer bola. Uma pintura. Nova saída. Entra na praça batendo palmas como quem enxota galinha no quintal. É um velho com cara de guarda-livros que, sem pedir licença, invade o universo infantil de uma pelada e vai expulsando todo mundo. Num instante, o campo está vazio, o mundo está vazio. Não deu tempo nem de desfazer as traves feitas de camisas. 

O espantalho-gente pega a bola, viva, ainda, tira do bolso um canivete e dá-lhe a primeira espetada. No segundo golpe, a bola começa a sangrar. Em cada gomo o coração de uma criança.

ARMANDO NOGUEIRA